Palavra pastoral
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A gratidão dos eleitos

No último pleito eleitoral, ocorrido no mês de outubro do ano andante, muitos eleitos para os cargos de governador, senador e deputados (federais e estaduais) fizeram questão de postaram em suas páginas, nas redes sociais, agradecimentos a Deus pela vitória conquistada nas urnas.

 

É louvável a atitude de tais eleitos, já que, sem a permissão de Deus, eles não teriam alcançado o objetivo da eleição.

 

No entanto, algo me deixou, como de fato me deixa, intrigado com a atitude dos que alcançam um objetivo e fazem questão de agradecer publicamente a Deus: não os vejo agradecer, com a mesma ênfase, o fato de Jesus ter conquistado ido à cruz para trazer salvação para os que Nele crerem. Em momento algum visualizo, nos posts das redes sociais, frases como: “obrigado, meu Deus, pela salvação”, ou, “salvo, de fato e de direito!”, ou ainda, “obrigado pela cruz!”.

 

O que vejo são frases do tipo: “Olha a bênção que Deus me deu” – referindo-se a um bem material conquistado – ou, “Obrigado, Deus, por mais esta conquista” etc., sempre fazendo referência a conquistas materiais. E isto não ocorre apenas com políticos, mas com muitas pessoas cristãs, independentemente do tipo de conquista que elas alcançam.

 

Não estou condenando que as pessoas sejam gratas a Deus por suas conquistas. Não! Aliás, entendo que isto é bíblico, pois a Palavra de Deus ensina que não devemos atribuir a nós mesmos, a autoria das conquistas, mas ao Senhor (Deuteronômio 8.17-18). No entanto, estranho o fato de as pessoas serem gratas, somente (pelo menos é o que aparentam), pelas conquistas materiais. Isto dá uma noção clara de como o Evangelho deixou de ser uma boa notícia espiritual, para ser um bom investimento.    

 

Na verdade, devemos agradecer a Deus com atitude que quem deseja tomar “o cálice da salvação” e pagar os “votos na presença de todos”, como diz o salmista, após perguntar: “Que darei eu ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito?” (Salmo 116.12-14).

 

Que não cometamos o erro de atribuímos ao Senhor, apenas, as conquistas materiais, pois Jesus morreu na cruz para nos dar a vida eterna, e não, apenas bens materiais. Ele até nos abençoa materialmente também (aliás, a Bíblia afirma que o homem que não se assenta na roda dos escarnecedores, nem se detém no caminho dos pecadores, antes tem prazer em meditar na Lei do Senhor, será como a árvore plantada junto aos ribeiros, cuja a folhagem não cai e dá fruto no seu tempo; pois tudo quanto faz, prospera (Salmo 1º). No entanto, referida prosperidade é algo totalmente secundário e não deve ser a prioridade do cristão, pois a Bíblia ensina que devemos buscar, primeiro, o Reino de Deus.

 

Seja abençoado

Pr. Valter Vandilson Custódio de Brito