Egito

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A perseguição aos cristãos no Egito acontece principalmente no nível da comunidade. Os incidentes ocorrem com mais frequência no Alto Egito, parte sul do país, onde os movimentos salafistas exercem uma forte influência nas comunidades rurais devido aos altos níveis de analfabetismo e pobreza. Os incidentes podem variar desde mulheres cristãs sendo assediadas enquanto caminham na rua até comunidades cristãs expulsas de casa por multidões extremistas. 

 

A Universidade Al-Azhar, uma das universidades islâmicas mais influentes do mundo, tem um lugar de destaque na sociedade egípcia e até mesmo na Constituição. O grande imã Ahmed el-Tayyeb da universidade afirmou claramente que não há lugar no islã para que os muçulmanos se convertam ao cristianismo. 

 

Embora o governo do Egito fale positivamente sobre a comunidade cristã do país, a falta de aplicação da lei de modo sério e a relutância das autoridades locais em proteger os cristãos os deixam vulneráveis a todos os tipos de ataques, especialmente no Alto Egito. 

 

Além disso, em contraste com a forma como as mesquitas e organizações islâmicas são tratadas, as igrejas e organizações não governamentais cristãs têm sua capacidade de construir novas igrejas ou administrar serviços sociais restrita. Cristãos de todas as origens enfrentam dificuldades em encontrar novos lugares para o culto comunitário. As dificuldades vêm tanto das restrições do Estado quanto da hostilidade comunitária e da violência das multidões. 

 

Os cristãos de origem muçulmana muitas vezes têm grande dificuldade em viver de acordo com a fé, pois enfrentam uma enorme pressão da família para retornar ao islã. O Estado também torna impossível para eles obter qualquer reconhecimento oficial da conversão. 

 

As mulheres cristãs no Egito são particularmente vulneráveis ao assédio sexual e à violência. Embora o assédio, o casamento forçado ou o casamento por sequestro, e a agressão sexual sejam práticas comuns que afetam todas as mulheres no Egito em vários graus, há relatos de que as mulheres cristãs são particularmente alvo de casamento por sequestro, principalmente nas áreas rurais, aldeias e cidades do Sul. 

 

As mulheres que decidem deixar o islã para se tornarem cristãs enfrentam vários desafios. Elas podem se deparar com leis de blasfêmia, status reduzido na sociedade e adesão forçada aos costumes tradicionais. Elas também podem enfrentar o divórcio do marido muçulmano, deixando-as sem qualquer apoio financeiro. A guarda dos filhos pode ser retirada delas, bem como os direitos de herança. 

 

Alguns homens cristãos não têm permissão para participar do governo ou mesmo de times de futebol devido aos seus nomes cristãos. As dificuldades financeiras das famílias podem ser usadas contra os meninos cristãos como uma armadilha: alguns muçulmanos oferecem ajuda financeira a jovens cristãos, mas quando não conseguem pagar, os muçulmanos dizem que a dívida só será anulada se eles se converterem ao islamismo.

 

Fonte: portasabertas.org.br